Salário mínimo 2027: valor previsto, como é calculado e quando muda
Por Lucas Santos
O governo propôs salário mínimo de R$ 1.741 em 2027. Veja como o valor é calculado, por que ele ainda pode mudar, quando começa a valer e o que ele afeta no seu bolso.
Qual vai ser o salário mínimo em 2027?
A previsão oficial é de R$ 1.741. Esse é o valor que o governo colocou no Projeto de Lei Orçamentária de 2027, enviado ao Congresso em 31 de agosto de 2026. Ele representa um aumento de R$ 120 sobre o salário mínimo atual, de R$ 1.621.
Como o salário mínimo é calculado
A regra de reajuste soma duas coisas:
- A inflação (INPC) acumulada em 12 meses, de dezembro do ano anterior até novembro. Isso repõe o poder de compra.
- O crescimento do PIB de dois anos antes, como ganho real. Para 2027, vale o PIB de 2025, que cresceu 2,3%.
Desde 2025, o ganho real fica limitado entre 0,6% e 2,5% ao ano, por causa das regras do arcabouço fiscal. Como o PIB de 2025 ficou abaixo do teto, os 2,3% entram inteiros.
A conta do governo usa um INPC projetado de 4,93%:
- R$ 1.621 × 1,0493 (inflação) × 1,023 (ganho real) ≈ R$ 1.740, arredondado para R$ 1.741.
Por que o valor ainda pode mudar
A previsão usa uma estimativa da inflação de outubro e novembro, que ainda não aconteceu quando o Orçamento foi feito. Se a inflação vier menor, o salário mínimo final fica um pouco abaixo. Uma projeção privada divulgada em outubro de 2026, com inflação menor, chegou a R$ 1.735.
Ou seja, o valor final deve ficar perto de R$ 1.735 a R$ 1.741, mas o número exato só sai no decreto do fim de dezembro.
Quando o novo salário mínimo começa a valer
- Decreto: no fim de dezembro de 2026, depois da divulgação do INPC de novembro.
- Vigência: a partir de 1º de janeiro de 2027.
- No bolso: quem recebe por mês vê o valor novo no salário de janeiro, pago em fevereiro. Aposentados e pensionistas do INSS que ganham o mínimo também recebem o valor novo a partir do pagamento de janeiro, que é feito entre o fim de janeiro e o começo de fevereiro.
Histórico recente do salário mínimo
| Ano | Salário mínimo |
|---|---|
| 2026 | R$ 1.621 |
| 2027 (previsão) | R$ 1.741 |
O que muda com o novo salário mínimo
O salário mínimo serve de base para muitos valores, então o reajuste mexe com mais gente do que parece:
- Aposentadorias e pensões do INSS: ninguém recebe menos que o mínimo.
- BPC/LOAS: o benefício para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda é de um salário mínimo.
- Seguro-desemprego: a parcela mínima acompanha o salário mínimo.
- Abono salarial (PIS/Pasep): o valor máximo é de um salário mínimo, proporcional aos meses trabalhados.
- MEI: a contribuição do microempreendedor para o INSS é de 5% do salário mínimo. Em 2026, isso dá R$ 81,05 por mês, mais R$ 1 de ICMS ou R$ 5 de ISS. Com R$ 1.741, a parte do INSS subiria para cerca de R$ 87,05.
- Salários de quem ganha o piso: quem recebe um salário mínimo tem o aumento automático. Quem ganha mais depende da negociação da categoria.
Quanto sobra do salário mínimo
O salário mínimo bruto não é o que cai na conta. Quem trabalha com carteira assinada tem o desconto do INSS. Em 2026, com o mínimo de R$ 1.621, o desconto é de 7,5%, e o líquido fica perto de R$ 1.499. Para fazer a conta com o seu salário e os seus descontos, use a calculadora de salário líquido.
Também dá para simular o 13º salário e as férias com o valor novo assim que ele for confirmado.
Dúvidas rápidas
O salário mínimo de 2027 já está aprovado? Não. O valor de R$ 1.741 é a previsão do Orçamento. O valor oficial sai por decreto no fim de dezembro.
O aumento é acima da inflação? Sim, pela previsão. O reajuste de cerca de 7,4% inclui a inflação e um ganho real de cerca de 2,3%.
E o salário mínimo estadual? Alguns estados têm piso regional maior que o nacional, definido por lei estadual. Esse valor muda em datas próprias de cada estado.
Resumo
O salário mínimo de 2027 está previsto em R$ 1.741, R$ 120 a mais que os R$ 1.621 de 2026. O cálculo soma a inflação (INPC) com o crescimento do PIB de 2025, limitado a 2,5%. O valor exato só é confirmado por decreto no fim de dezembro e começa a valer em 1º de janeiro, no salário pago em fevereiro. O reajuste também mexe com aposentadorias, BPC, seguro-desemprego, abono e a contribuição do MEI.





